5 razões que fazem do Flip uma viagem-evento imperdível

Nessa última quarta-feira (30), começou na cidade de Paraty (RJ) a 12ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e eu tive o imenso privilégio de acompanhar os dois primeiros dias. Vou compartilhar aqui o que fez desse evento uma das viagens mais fantásticas e diferentes que fiz por esse Brasil.

1. Ela acontece em Paraty

Sim, o primeiro ponto tinha que ser esse. Paraty não é como nenhuma outra cidade que já visitei. Ela é pequena, aconchegantes e cheia de extremos. O Centro Histórico é lindo, uma viagem no tempo, mas um verdadeiro teste para suas pernas com ruas inteiras de pedras.

Você atravessa o canal e de repente está em praias lindas, que nada lembram a parte antiga da cidade, é um outro mundo.

Então vai até a parte não turística e é como em qualquer outro lugar, casas, comércio e até um certo caos de pessoas e carros, só que com charretes também.

Você vai dividir seus passeios entre os passesios de barcos, que duram algumas horas, as igrejas, as praças, algumas praias, as galerias de artes e muita gastronomia espetacular, acho que nunca comi tanto também.

Lá não é uma cidade de vida noturna, no máximo barzinhos com música ao vivo, mas com certeza bastante gostosos.

ps.: não coloquei aqui aqueles dados informativos padrões tipo localização, população, clima, história e tal, mas disponibilizo aqui o link de alguns canais que o fazem de forma mais completa do que eu faria. Clique aqui para saber mais sobre Paraty.

2. As pessoas, tanto locais quanto de fora

Fiquei admirada com a simpatia das pessoas. É quase como se tivesse alguma coisa na água lá. Todos sorriem e dão bom dia. As pessoas são gentis, ajudam estrangeiros, dão dicas de onde ir ou apenas contam histórias sensacionais.

Perdi a conta de quantas conversas fascinantes cultivei, desde o garçom que deu uma aula sobre camarões, o dono de barco que saiu de São Paulo há 15 anos e hoje tem 5 livros publicados, um artista plástico que estava pintando um painel coletivo de um casal de alemães que estão viajando o mundo, até a adorável moça que todas as manhãs me via acordando cedo para trabalhar e passava café fresquinho sem eu pedir, apenas por bondade.

Impossível não sair de lá se sentindo mais rica!

3. O homenageado: Millôr

Com certeza foi uma honra a minha primeira ida para Paraty e para o Flip ser sobre esse mito brasileiro.

Em 60, ele já era censurado ao batalhar pela liberdade de expressão, por criticar políticos, por fazer jornalismo de uma forma nada tradicional, ele abria portas que hoje nem podemos imaginar como foi, uma vez que ele enfrentou a ditadura com desenhos e frases honestas, autênticas e diretas.

Andar entre as letras no estilo Millôr pela Praça da Matriz foi um dos pontos altos, despertanto a curiosidade das crianças, tornando o aprendizado uma verdadeira brincadeira.

Entrar na Casa da Palavra e acompanhar a cronologia da obra dele, embora ele odiasse esse termo, ver exemplares do Pif Paf e do Cruzeiro, enquanto cada instalação contava com a voz dele dando entrevistas, lendo seus textos ou músicas que marcaram a mesma época que seus trabalhos foi uma viagem dentro da viagem.

Na Casa do IMS, pude ainda passear por entre uma curadoria que elegeu as 100 melhores frases e as 100 melhores ilustrações dele e que virou um livro comemorativo belíssimo também. Impossível não rir com seu deboche, ou não se identificar com algumas boas verdades.

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4. Arte, livros, pinturas, música, tudo acontece ao ar livre

Só quando de fato você está por entre as ruas de Paraty você entende porque eles chamam de Festa e não de encontro, ou palestra, ou qualquer outro nome. Mesmo com ambientes fechados apenas para quem comprou ingressos ou convidados, ninguém fica sem uma overdose de cultura.

Todos os painéis fechados foram exibidos em telões e TVs espalhadas por diversos ambientes. Você sentava lá e via uma imagem nítida e com bom som a genial abertura do Flip com os humoristas do Casseta e o Jaguar, contanto histórias hilárias de um tempo que não volta mais, mas que são uma mistura de lembranças pessoais com parte importante da história de nosso país.

Além das mesas de debates, para onde você olhava havia livrarias, artistas de rua, varal de cordel era algo comum. Repentistas, modas de viola, os mais belos MPBs também foram escutados por muitos que passaram sorrindo e balançando discretamente a cabeça no ritmo.

Os artesanatos também merecem destaque, pois eram muito belos e na maioria feitos por índios que moram em vilas de pescadores e mantém hábitos de suas culturas originais.

Como toda boa festa, tinham estátuas vivas, fantasias de tudo que é tipo, os declamadores de poesia, entre outras figuras divertidas tornando tudo mais mágico.

Amei também o fato de que você ia andando entre as casas antigas de ar romântico, tropeçando nas pedras, e via pessoas fazendo esculturas de argila em sua sala, ou pintando um quadro na varanda, ou pendurando origamis de passarinhos coloridos para alegrar mais ainda o ambiente.

Porém, a Tenda dos Autógrafos foi o local do Flip que mais amei, afinal, é onde todos os livros, lançamentos e autores ficavam. Foi ondem comprei livros para uns 2 anos de leitura, desejando levar pelo menos o dobro de exemplares. Era um pedacinho de céu na Terra todas aquelas palavras, capas, temas. Sem falar em outros acessórios que despertam o amor de qualquer pessoa, como caderninhos de anotação, capinhas, bolsas, kit para escritores, canecas entre outras coisas que tornam qualquer mesa ou cabeceira o melhor cantinho do mundo.

5. Shows, teatro, musicais e o que mais você desejar

No geral, a ideia é que o Flip gira em torno de livros, escritores, enfim, mas alguns dos pontos altos da programação foi o show de abertura da elegante Gal Costa, que voz, que delicadeza, impossível não relaxar com aquelas notas suaves. Além disso, você podia esticar sua toalha na grama e assistir peças de teatro, como as de Shakspeare, ou musicais criados por artistas da região. Quando você percebe, todos estão cantando junto e dançando de tão contagiate que é.

Clima, internet e Flip 2015:  No geral, a viagem foi sensacional, mas compratilho aqui também algumas dicas para ajudar você a se organizar para ir ao Flip 2015.

Esfria bastante a noite lá, e o Sol é bem ardido, sem falar em problema de pernilongos, então leve roupas leves, casacos, protetor solar, repelente e chapéu.

Quando chove a cidade fica totalmente sem sinal. Não é exagero não. Não funciona 3g, nenhum wi-fi, até as máquinas de passar cartão param de funcionar, então aqui fica outra dica, não conte com sinal, tenha dinheiro em mãos e se estiver trabalhando como eu, tenha um plano B, porque você pode ficar horas em isolamento digital.

Nós ficamos lá de segunta até quinta, não ficamos mais por falta de lugar. Isso mesmo, tudo esgotado. Ou seja, para ficar em uma boa pousada, com boa localização e nas datas desejadas, reserve com alguma antecedência.

A palavra para fazer malas deve ser conforto, lá são ruas de pedras, então esqueça qualquer sapato que machuque ou com salto.

Veja ainda o site oficial do evento.

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