Iniciativa ecológica brasileira influencia o mundo
ANA CAROLINA VICTORAZZI
Imagem retirada do Henrique (in)Sana
O aquecimento global, o efeito estufa e suas conseqüências no planeta são temas em evidência, tanto pela importância ambiental quanto pelos questionamentos gerados.
Desse debate surgiu o Protocolo de Quioto, um tratado internacional que propõe compromissos para a redução da emissão dos gases responsáveis pelos danos à Terra. Um dos produtos do encontro criador do protocolo são os mecanismos de flexibilização, entre eles o mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL).
Henrique Chaves, consultor do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental, disse em entrevista que “o MDL teve como co-autor o Brasil. Sua aplicação em vários países em desenvolvimento mostra que ele foi bem aceito, mas poucos sabem que ele foi iniciativa brasileira, a não ser os representantes que o homologaram em Quioto. Entretanto, como o Brasil é o segundo país em número de projetos de MDL, seguido da Índia, sua visibilidade é boa”.
Esse mecanismo tem o intuito de gerar energia através de meios menos poluentes, ou seja, que não derivem do petróleo ou carvão: os combustíveis fósseis, responsáveis por mais da metade da matriz energética do planeta.
O Brasil tem uma diplomacia competente nessa área de desenvolvimento sustentável, tendo uma série de planos já em andamento e muitos investimentos em pesquisas. Exemplos disso são as plantações de florestas de mamona, girassol, dendê e soja, que, além de captarem o carbono, geram grãos capazes de produzir um óleo vegetal apto a substituir o óleo diesel.
O Japão e a Alemanha são modelos de países que adotaram medidas semelhantes para melhorar o meio-ambiente. Eles estipularam que até 2015 o diesel deve virar uma mistura com cerca de 30% de óleo vegetal. Isso impulsionaria o cultivo de baixo impacto ambiental e haveria uma redução significativa na liberação de poluentes.
Existem também outros tipos de agricultura energética, como a da cana-de-açúcar, que produz álcool e açúcar e da sobra, o bagaço e a palha, pode-se gerar uma grande quantidade de energia. O estudo realizado pelo terminal açucareiro Copersucar aponta que o bagaço de cana produzido hoje no Brasil, queimando adequadamente, equivaleria a 400 milhões de barris de petróleo, metade do consumo anual do país.
“Das 15 modalidades de MDL, as mais usadas até agora são as de substituição de energia fóssil e a de queima de metano. Entretanto, na medida em que as metodologias de projetos de outras modalidades, como a do reflorestamento, sejam aprovadas, elas terão um crescimento semelhante aos das modalidades pioneiras”, declarou Henrique Chaves.
Essa conversão, porém, é demorada e custosa, sendo esse o principal argumento usado, por exemplo, pelo Bush, presidente dos Estados Unidos, o responsável por mais de 50% da emissão de gases de efeito estufa do planeta, para não a fazer. Ele alega que a economia do país seria prejudicada.
Os projetos criados passam por muitas etapas, cerca de nove, antes de sua aprovação e conclusão. Todos eles são extremamente monitorados e, através desse acompanhamento, recebem do Conselho Executivo do MDL o certificado de redução de emissão (CREs), o responsável pelo surgimento do crescente mercado de carbono.
A comercialização dos CREs dá-se por empresas especializadas ou bancos. A companhia que receber o certificado poderá negociar com uma outra que não conseguirá cumprir a meta.

Henrique disse,
24 Junho, 2008 às 3:51 am
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